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terça-feira, 21 de agosto de 2012

Os doze mandamentos do motociclismo

1 – Mantenha a motocicleta sempre em ordem

Verifique a calibragem e o estado geral dos pneus; cheque o funcionamento do farol, setas, lanterna e luz de freio; verifique o cabo, lonas, ou pastilhas, fluido e a regulagem se for freio hidráulico; confira o cabo, e a regulagem da folga ideal do sistema hidráulico; revise os amortecedores traseiros e as bengalas dianteiras quanto a vazamentos; verifique a vela, cachimbo e cabo; troque periodicamente o conjunto de coroa, corrente e pinhão; tenha sempre a mão a CNH e o CRLV; utilize o protetor de pernas (mata-cachorro) e a antena anti-cerol.


2 – Pilote utilizando equipamentos de segurança

Capacete aprovado pelo Inmetro; calça e jaqueta de tecido resistente (preferencialmente de couro); botas ou sapados reforçados e luvas (de preferência de couro).

3 – Reduza a velocidade

Quanto menor a velocidade, maior será o tempo disponível para lidar com o perigo de uma condição adversa ou situações inesperadas, como mudança súbita de trajetória de outro veículo.

4 – Atenção e concentração

O ato de pilotar motocicletas exige muita atenção do motociclista, por isso evite se distrair.

5 – Respeite a sinalização de trânsito

Conheça e respeite os sinais e as placas de trânsito.

6 – Cuidado nos cruzamentos

Os cruzamentos são os locais de maior incidência de acidentes de trânsito, então redobre a atenção e reduza a velocidade ao se aproximar dos mesmos, principalmente nos cruzamentos sem sinalização de semáforos.

7 – Cuidado nas ultrapassagens

Sinalize as manobras com antecedência e certifique-se de que você realmente foi visto pelo motorista a ser ultrapassado. Tenha cuidado ao passar entre veículos, principalmente ônibus e caminhões.

8 – Cuidado com pedestres

Lembre-se de que o pedestre tem prioridade no trânsito urbano. Seja cordial e fique alerta para os pedestres desatentos, principalmente crianças e idosos.

9 – Seja visto

Ao pilotar à noite, use roupas claras e com materiais refletivos.

10 – Alcoolismo

Está comprovado que bebida e direção não combinam. Então, se beber, não pilote. Fique vivo no trânsito.

11 – Mantenha distância

É imprescindível manter uma distância segura dos veículos à frente (cerca de cinco metros), principalmente em avenidas e rodovias.

12 – Cuidado com a chuva

Redobre a atenção, reduza a velocidade e evite freadas bruscas; lembre-se de que nestas condições o tempo de frenagem é duas vezes maior que o normal.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Há ou não uma diferença, Pasquale?

          Ouvi agora, há pouco, o âncora de um telejornal anunciar que alguém, um adolescente da FEBEM, acho, fora "enforcado até a morte". De imediato fiquei pensando se há algum enforcado que não o seja, já que enforcar(-se) significa "dar morte a alguém na forca" ou "matar-se por enforcamento". Daí minha conclusão: - o redator pretendeu enfatizar a morte do adolescente, certificar ao telespectador que o jovem, de fato, morreu. Usou de uma tautologia para, quem sabe, anunciar o fato com sensacionalismo. O jornalismo sabe muito bem fazer isso.
                 Faz-se isso também, muitas vezes, com o verbo "afogar(-se)". Diz-se comumente: -"Fulano morreu afogado", quando o correto seria dizer apenas que "fulano afogou-se". Se o fulano passou maus bocados na água, mas sobreviveu, diz-se que fulano sofreu um quase-afogamento. 

          Vejam, por exemplo, que, no dicionário de língua portuguesa, motoqueiro e motociclista são sinônimos, significam a mesma coisa, isto é, "a pessoa que conduz uma motocicleta". O diabo é que nem a morfologia - que é o ramo da lingüística que estuda a estrutura, a formação e a classificação das palavras - favorece o conceito distinto que faço de ambas. "Ista" e "eiro" são sufixos que formam nomes de agente e, portanto – sem entrar em mais detalhes porque minha ignorância não permite –, motociclista e motoqueiro também têm uma excelente base morfológica para lhes irmanar o significado. Aparentemente estou em maus lençóis na questão, como o fulano que não sabe nadar, uma vez que insisto na diferença gritante e aparentemente inexistente entre ambas. Assalta-me, todavia, a nítida certeza de que não me afogarei na matéria.

          A distinção, caro leitor, está não no pai dos burros nem na morfologia, mas no comportamento. Alguém dirá que uso de uma reprovável justificativa para subverter o ordenamento das regras da língua madre, numa demonstração de obtusidade e tibieza,  e provavelmente estará certo quem o alegar. Entenda apenas o entediado leitor que o faço por uma questão de vida ou morte, de integridade ou mutilação, de prevenção de gastos públicos desnecessários e de invalidezes evitáveis. Se tudo isso não justificar os meios então o mensalão também não justificará o projeto petista de poder.
          Há uma ideia de meus próprios miolos que faz bem ver a distinção entre motoqueiros e motociclistas. O motoqueiro pensa a motocicleta como uma bicicleta motorizada, uma bicicleta com motor, ao passo que o motociclista a entende como um carro sobre duas rodas. Não sei se fui claro, mas me pareceu a princípio uma excelente característica distintiva. Se não, vejamos.
          O sujeito que anda de bicicleta sobe a calçada e a passarela, pedala entre os veículos, não se obriga a parar no vermelho, trafega na contra-mão, não respeita as faixas, e se percebe cheio de razão e privilégios no trânsito. Enche a cara quando bem quer e entende. Afinal, não há lei que proíba de beber o ciclista. Óbvio é que o ciclista que ama a vida não a põe em risco à toa. O motoqueiro seria um ciclista debochado, petulante, arrogante e, acima de tudo, irresponsável. Faz tudo aquilo e um pouco mais em sua bicicleta provida de motor, o que o leva a ousar a única manobra que não faria com a bicicleta desprovida daquele – pilotar em alta velocidade. 
          O motociclista, por sua vez, sabe que seu veículo é um carro sem cabine, sem para-choques, com a desvantagem adicional de rodar sobre duas rodas. Pilota como quem dirige um carro e cheio de medo e exagerados cuidados. Imagina que sua motocicleta ocupe o mesmo espaço que um verdadeiro carro e procura estar sempre à vista de todos. Cerca-se, portanto, de todos os cuidados possíveis e impossíveis a todos os outros condutores. O motociclista é neurótico e medroso, tranqüilo e manso, gentil e cauteloso; quer proteger a todo custo a integridade da pessoa que mais ama na vida – ele mesmo. 
          Agora me diga: - há ou não uma diferença, Pasquale?