A rua Antonio Augusto é uma das muitas ruas desta cidade que nascem próximo ao mar e se embrenham no sentido do interior. Ela começa na Avenida Historiador Raimundo Girão. Em que pese o fato de sua numeração ser progressivamente maior à medida que avança para longe do mar, seu sentido de tráfego é o oposto, do interior para a praia. Ela, portanto, é via de mão única.
Em seu nascedouro há dois condomínios recém construídos, um à direita, o outro à esquerda. Posicionam-se um defronte o outro. O acesso à garagem de ambos se dá justamente pela Antônio Augusto. A Historiador é avenida de mão dupla.
Assim, devido a essa disposição de tráfego é freqüente que motoristas e motociclistas cedam à tentação de trafegar por ela na contra-mão, principalmente os moradores dos dois referidos prédios localizados à esquina. Por que contornar o quarteirão para entrar na garagem se posso trafegar por 15 ou 20 metros na contra-mão e ter acesso a ela?
A Antônio Augusto é rua de movimento relativamente intenso em determinadas horas do dia e da noite, o que faz com que o tráfego por ela na contra-mão seja uma manobra arriscada e até afrontosa aos veículos que estão transitando segundo manda a lei.
Raramente saio à noite na motocicleta, salvo em casos excepcionais. Segunda passada saí. E eis que desço Antonio Augusto no sentido praia. Aproximo-me do cruzamento com Historiador. A poucos metros, quase chegando, percebo um carrão enorme, um desses modelos que os cearenses gostam mais que todo o resto da população brasileira, se insinuando para avançar pela contra-mão. Não parei. Ao notar minha aproximação ele brecou. Ficamos parados um defronte o outro, cara a cara, o carrão e minha motocicleta, na esquina. Meu pneu dianteiro estaria a, o quê, 30 centímetros de seu para-choque da frente. Não conseguia ver o rosto do guiador. Estava escuro e o para-brisa se revestia de uma película negra. Passaram-se cerca de 15 a 20 segundos.
Ele então engatou a ré e retrocedeu o suficiente para, distanciando-se um pouco da motocicleta, engatar a marcha e contornar aquele motociclista de merda que se postara à sua frente impedindo-o de entrar direto na contra-mão. Não desistiu, contudo. Contornou-me e entrou no contra-fluxo, na faixa ao lado, para entrar na garagem do prédio à esquerda do fluxo. Ao passar por mim, encarou-me sério e resmungando alguma coisa baixinho. Certamente disse: -"Filho da puta"!; ou, como se diz aqui no Ceará: -"Baitola"!
Eu estava indignado. Não com o xingamento, mas com a audácia do "cidadão" que cometera uma infração grave e de risco para terceiros. Por sua vez, a indignação do homem também era clara feito água. Admito: - minha indignação cresceu ainda mais, e muito, por conta dessa indignação criminosa.
Passei a primeira e debandei certo de ter arriscado a vida: - escapei de ser abalroado de frente e de ser alvejado com um tiro. Em ambas as hipóteses, somente eu sairia perdendo. O criminoso escaparia cheio de indultos e de amenizações, e eu estaria apodrecendo debaixo de sete palmos de terra seca.
Presidente
ResponderExcluirA Lei de Gerson eh mais antiga que a Copa de 70... provavelmente remonta 1500, desembarcando aqui nas inúmeras naus catarinetas reversas... e cada vez mais presente em nosso vergonhoso pais...
Abraços
Billy